quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

CORRIDA EM BALSAS

Égua do sr. Erivelto (frigo Marques)
No próximo domingo,13 de fevereiro,teremos aqui em Balsas mais uma disputa de "prado",assim chamadas por aqui as corridas de cavalos de velocidade.  O pega será na pista do Jenipapo,gentilmente cedida pelo Dr. Paulo Fonseca,e da pareia estarão entre outros (me desculpem a falta dos nomes da maioria dos cavalo,uma vez que por aqui não se usa dar nomes a êles) o puro sangue inglês PSI do Walmir da Casa do Homem do Campo,a famosa égua do Erivelto,do Frigo Marques, o conhecidissimo Fio de Ouro,de propriedade do ChicoMessias,na Verdade Francisco Miranda,o Secretário da Agricultura de Balsas a égua do Ném,e muitos outros que estarão medindo velocidade.
Trata-se de um evento esportivo que tem apaixonado os balsenses,assim como outras provas equestres como a vaquejada. Temos acompanhado diáriamente os trabalhos de treinadores,joqueis e tratadores como Caboré,Dentinho,Adonato Gordo,Tiago,Adriano,  entre outros que sem medir esforços de hora,clima,domingo etc..vivem o dia dia do mundo  apaixonante dos cavalos.
Apenas faço uma ressalva,mesmo porque tenho notado uma certa falta de organização estrutural dos eventos,quando o grande público que comparece,fica sem saber o nome dos cavalos,de seus jóqueis,dos seus proprietários,qual é a raça dêles,enfim,um grande número de informações que faria com que os expectadores além do entusiasmo natural,conhecessem mais a fundo os competidores.
Na próxima semana,estaremos divulgando os resultados.
Walter Carmello Filho

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

OS CAVALOS DO MEU ENTARDECER



"Só os cavalos são felizes, porque comem a paisagem", disse num verso inesquecível don Atahualpa Yupanqui. Já tive muitos  cavalos e cachorros, até perdi a conta. Na maior parte das vezes,foram sempre companheiros inseparáveis,a cadelinha Fany da minha doce infância,e Indaial,garanhão que não precisou de doma... Tratava a todos com respeito e cuidado, um cavalo é um bicho sagrado, afirmava meu avô Martinelli. Lembro de quase todos, do jeito de cada um, dos mansos, dos caborteiros, dos bons de lida, dos passarinheiros. E dos pelos então, um mais lindo do que o outro. Zainos, , rosilhos, mouros, , bragados ,lobunos, , ruanos, tordilhos, , baios, malacaras, alazões e castanhos. Cavalos são como gente, cada um tem um jeito e é único, é preciso saber lidar com eles. Debaixo do couro, todos eles tem uma alma,sentem dor,sentem fome,sentem frio,tem cumes,tem amor,tem até saudades,igualzinho a gente...

Cavalgo até uma pequena elevação e  consigo ver ao longe uma campina verdejante, , uma mancha escura que parece ser uma aguada. Então recordo do tempo em que vivia no lombo do cavalo, de sol a sol, às vezes sob a Lua prateada em longas cavalgadas até os bailes de barracanas fazendas vizinhas. Na época,e com a juventude aflorada talvez não pudesse avaliar como era boa a vida. Mas vem a escola,a namorada a faculdade o trabalho ,fiquei bom tempo longe do campo,arranchado só  na selva de pedra. Muito tempo se passou sem sentir uma sela sob minhas pernas. Troquei as rédeas pelo volante. A campina virou concreto; a imensidão de grama e capões virou um amontoado de tijolos. Meus sonhos rodaram cedo nessa empreitada, sempre desejei voltar no tempo, até porque não tinha mais terra para criar e cavalgar. As coisas vão acontecendo, os amigos vão morrendo e nada mais pode ser reconstruído do jeito e da forma que já vivemos.

Da aurora da minha vida trago as mais doces lembranças e uma saudade que não sei esconder. Não é fácil confessar que, passados tantos anos, preferia ter ficado lá de onde eu vim, na fazenda Bananal em São Carlos do Pinhal, bebendo água nos riachos, correndo atrás de bezerros, comendo pão quente de forno, pescando lambaris no regato, caçando lebres e preás, galopando em pelo por dias e noites nas pastagens verdejantes. Lá, eu tinha poucos amigos, mas via naqueles  caipiras com muito orgulho  muito mais sinceridade do que nos milhares de olhos que me olham por essas bandas. Mas de tudo, o que mais sinto falta é dos cavalos. Pelo atavismo da raça, um caipira como eu não pode viver sem a companhia de um cachorro e muito menos de um cavalo ,porisso ainda tenho vários.
Hoje maduro, pressinto todos os cavalos do meu entardecer. Uma tropilha celeste virá me buscar. Voltarei com certeza no  galope  de um alazão para o berço eterno do velho Pai.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Novo ano..mais cavalos

Férias,final de ano..o lap top fica meio de lado e a gente tem até mais tempo para cavalgar do que para escrever. E isso também nos dá um tempo para algumas predileções que muitas vezes o dia-dia não nos permite,como por exemplo ler o livro do extraordinário Monty Roberts  que me foi presenteado pelo meu filho e também cavaleiro Luis Gusthavo. O título é "O HOMEM QUE OUVE CAVALOS" e nêle o famoso encantador de cavalos conta a sua vida e o seu método para conversar com os cavalos. Para os amantes da equinocultura é uma obra  de leitura obrigatória.
Voltando  na lida diária ,tive a oportunidade de conhecer o Dr. Jorge,veterinário,e o Cesar,exímio ferrageador, ambos do interior de São Paulo,mais precisamente de Boa Esperança do Sul e Araraquara ,que em estando aqui no Maranhão ficaram estarrecidos com o uso de alguns equipamentos que servem mais para torturar cavalos do que para conduzí-los. A famigerada "professora"foi a que mais impressionou-os pela crueldade imposta aos cavalos,principalmente nas competições de vaquejada.
Somente quem já assistiu uma competição destas,pode atestar os danos físicos causados na parte superior do focinho,deixando em carne viva e dentes de serra a penetrar naquela ferida aberta. A primeira expressão do Cesar foi esta: "Em São Paulo isso dá cadeia! " E eu concordo plenamente com êle.
Não atentaram ainda os amantes da vaquejada,que mais dias,menos dias,pessoas que zelam pela proteção dos animais estarão surgindo por todo nordeste e com absoluta certeza encontrarão meios para coibir o uso destas ferramentas de tortura,e punir aqueles que delas se utilizam.
Polítiqueiros de plantão,usarão a boa fé dos protetores dos animais,aliás como já fizeram no interior de São Paulo proibindo os rodeios,vão proibir as vaquejadas,esporte que no nordeste é muito mais popular do que qualquer outro.
Sempre é tempo! E os treinadores e vaqueiros precisam urgentemente abolir estes métodos e passarem a se preocupar com a continuidade e a beleza deste esporte que encanta o nordestino utilizando-se dos tradicionais freios e bridões que há séculos equipam as cabeçadas utilizadas nos cavalos de todo mundo.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

QUEM SABE MAIS?

Walter carmello filho

Quem lida com cavalos,precisa acima de tudo gostar daquilo que faz. Tenho por princípio procurar fazer o melhor quando me dedico a qualquer atividade,seja ela profissional,esporte,lazer ou hobby,e as pessoas que comigo convivem em qualquer destas áreas tem que estar influenciadas em sua maneira de pensar naquilo que julgo ser primordial: Conhecer profundamente o assunto!
Na maioria das vezes,as pessoas que lidam com cavalos,já que este é o nosso tema,sejam eles cavalariços (aqueles que alimentam,limpam,etc..) treinadores,adestradores ou cavaleiros simplesmente agem de forma errônea,não porque querem ser violentos,descuidados,maldosos, imprudentes,negligentes ,etc..mas sim o fazem por pura falta de conhecimento.
O cavalo era selvagem..vivia livre,não tinha rédeas,não conhecia esporas e chicote. Nós é que o trouxemos para o nosso convívio e o tornamos doméstico. Apesar de milhares de anos de convivência estreita,êle ainda mantém sentimentos atávicos de animal predado. Muitas vezes tem medo do nosso convívio. Houve de nossa parte,uma invasão na sua vida e esta invasão nos trouxe o ônus de ensiná-lo com paciência e carinho aquilo que dele pretendemos.
Se nos apresentar a oportunidade de poder ensiná-lo desde muito jovem,êle por certo entenderá aquilo que queremos dele e nos responderá com satisfação a paciência e a racionalidade com que lhe escolarizamos. Mesmo quando e infelizmente já o recebemos domado e com traumas e seqüelas oriundos de uma doma cruel e violenta poderemos reconquistá-lo. Neste caso,o tempo aliado a doses generosas de paciência é que trarão os resultados almejados.
A observação das suas atitudes quando livre,comparadas com aqueles tomadas quando o sujeitamos a um bridão e uma sela,a nossa aproximação,nossos gestos,o tom de voz que usamos para falar com êle,tudo isso nos dará um indicativo de como poderemos ou não agir,de quais serão serão as suas reações e consequentemente a continuidade ou aperfeiçoamento do método a ser empregado.
Parafraseando alguém:

- O cavalo sabe tudo que a gente sabe. Mas também sabe tudo o que a gente não sabe.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

REBELDE E DOCE
walter carmello filho


Minha poldra rebelde e doce
meu poema
feito no galope da saudade
minha pena
pesada e leve
secreta e pura
minha cavalgada em ti
momentos de loucura

Minha poldra
meu galope
minha rédea
neste cavalgar doido
minha sela
minha bela
de luz intensa
de voz aberta

Em ti cavalgo
em ti eu galopo
por ti consigo
esta força que de novo
em ti persigo
em ti percorro
cavalo à solta
pelas curvas do teu corpo

Por ti bendigo
poema castigo
corpo alma
amante amigo
por isso poeto
por isso digo
teu seio meu abrigo

Rebelde e doce
corre,galopa,voa
na campina do meu peito
volta indomada
minha poldra
tu és rebelde
porém doce

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

PARQUE DE VAQUEJADA ARROCHA O NÓ

Estive na quente Teresina nas vesperas de uma das mais importantes e tradicionais vaquejadas de todo Brasil. O parque Arrocha o Nó estava recebendo na ocasião vaqueiros,criadores,tratadores,peões,comerciantes e aficcionados de um esporte que tem crescido a olhos vistos,principalmente no nordeste.
Era notório o grande interesse pela disputa,também motivada por um prêmio de cem mil reais,maior do que em muitos dos mais tradicionais rodeios do sudeste e isto se constatava pela sofisticação dos treilers para abrigar cavalos,vaqueiros e proprietários. Caminhões  do tipo baú equipados com cozinha,dormitório,baia para os cavalos,e sempre com um toldo servindo como uma frondosa varando para a cervejinha e o bate papo de fim de tarde.
Não menos sofisticada era a pista da disputa,com cabines de jurados,cameras televisivas para apoio de julgamento,secretaria,arquibancada fixa de alvenaria mais arquibancada montada para poder receber o enorme público.
Além dos shows com artistas de renome,a praça de alimentação estava preparada para atender desde o mais simples tira-gosto até sofisticados pratos regionais como carneiro,galinha d'angola entre outras delícias da culinária local.
Exemplo para muitas outras cidades,o parque de vaquejada Arrocha o Nó é um lugar agradável na tórrida  Teresina que sabe da importância de um evento desta natureza.
Parabéns aos piauienses que valorizam seu mais importante esporte regional.






Fotos do local

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

A HISTÓRIA DE BALSAS (walter carmello filho)

Estou em Balsas há oito anos completados no dia 12  p.p. Durante todo esse tempo fui pesquisando coisas da cidade onde decidi viver. Pude perceber que a grande maioria das pessoas,inclusive aqui nascidos,desconhece  como surgiu Balsas e quem foram os pioneiros do seu surgimento.
No intuito de colaborar com o conhecimento geral  resolvi publicar um breve relato dos primórdios da existência desta cidade que apesar das incontáveis necessidades de ordem social,cultural,assistencial e de infra estrutura,consegue  pelos seus outros dotes naturais que seu povo  seja alegre e hospitaleiro.

Breve relato da fundação.
O município de Balsas faz parte da região sul do Estado do Maranhão.E é hoje um novo polo da fronteira agrícola,principalmente pela cultura da soja.
A região foi formada por vaqueiros nordestinos que fugindo da seca cruzaram o Rio Parnaíba e descobriram as terras do Maranhão, montando uma estrutura na Passagem dos Caraíbas às margens do Rio Balsas. (Alí onde está se construindo uma ponte metálica a precisos 8 anos)
Os balsenses têm sua historia marcada de extrema beleza e importância, tendo em sua origem, um povo lutador e alegre que revive com orgulho as linhas vivas de suas conquistas.As terras dessa região eram pertencentes a grandes fazendeiros que residiam na sede do município de Riachão, tendo como proprietários as famílias Coelho e o Tenente – Coronel Daniel Alves Rego. Como a ligação entre as fazendas eram realizadas somente por via fluvial, não tardou que se formasse ao longo do trajeto pequenos povoados.
Sabedor da existência do novo núcleo de população que aqui se formara, para cá se deslocou o baiano Antônio Ferreira Jacobina, mercador de fumo nos sertões. Tornou-se líder da povoação, a qual denominou Vila Nova. Este construiu às margens do Rio Balsas um pequeno comércio onde vendia: fumo, cachaça, rapadura, sal e querosene. Contam também que neste local Jacobina realizava muitas festas com mulheres trazidas de outros locais.O local servia de referência para todos os viajantes que ali passavam em embarcações construídas de buritis, denominadas “balsas”.
Em 1879 foi edificada uma pequena igreja em homenagem a Santo Antônio, e em 1882 Vila Nova recebeu um novo nome, “Santo Antônio de Balsas” que posteriormente foi elevado à categoria de vila e de cidade, com a mesma denominação.
Os Distrito foi criado em 1892, pela Lei Nº 15; e desmembrado do município de Riachão em 22 de Março de 1918 pela Lei Nº 775. Na ocasião figurava como Distrito de Santo Antônio de Balsas que pelo Decreto-Lei Nº 820 de 30 de Dezembro de 1943, passou a denominar-se “BALSAS”.